Entre o ceú e o inferno

7/21/2010 / 01:53 /



Continuamos a nossa exploração pela Islândia, a manhã do 4º dia acordou como a noite do 3º, cinzenta. O nevoeiro cobre o horizonte e não nos deixa ver os picos nevados do caminho que nos leva aos East Fiords.



A estrada é bonita mas certamente seria ainda mais bonita se o sol nos tivesse continuado a acompanhar. O frio aperta, a maresia não perdoa e curva a curva vamos devorando quilómetros até Seyoisfjorour.



Esta pitoresca vila de 700 habitantes fica encravada entre picos nevados de onde escorrem dezenas de cascatas. As suas poucas ruas são coloridas com casas de madeira de cores vibrantes voltadas para um fiorde sereno.



A manhã do 5º dia começou cedo, o sol tenta furar as nuvens baixas enquanto subimos pela estrada mais alta da Islândia.



A rota volta agora ao interior por caminhos cada vez mais pequenos e desertos. Estamos nas Highlands e aqui quem manda é a natureza, que, diga-se de passagem é bastante austera por estes lados.



Atravessamos um enorme deserto negro, um mar de cinzas e detritos que os vulcões da região cospem do ventre do planeta. O objectivo é almoçar na cratera de Askja, uma das maiores e o que sobrou de uma gigantesca erupção que marcou irremediavelmente a paisagem em largas centenas de quilómetros.



Dizem os entendidos que foi este o vulcão pela vaga de fome que lançou a vaga de emigração do Irlandeses para a América do norte em meados de 1800.



Historias à parte o certo é que nos sentimos noutro planeta, talvez Marte, talvez na lua, rodeados de crateras e rochas disformes e negras que dão um ar inóspito a tudo o que a vista alcança.



Passamos campos de lava imensos, desertos de areia carbonizada, planicies polvilhadas de pedras de formas fantasmagóricas e montanhas negras prontas a rebentar.


A unica coisa que nos chama de volta à terra são os rios violentos e as ilhas de verde intenso que de vez em quando aparecem no meio deste negro imenso.



Em alguns desses rios tivemos de enfrentar a força da corrente gelada...



O que nem sempre foi tarefa fácil...





Mas que todos juntos conseguimos superar.



Foram 300 quilometros de pistas atravessando o inferno, para chegar agora à serenidade das margens verdejantes do lago Myvatn, o Eden na terra segundo os Vikings...

5 comentarios:

Comment by Filipe Matos Lage on 21 de julho de 2010 às 15:01

Saudável INVEJA, é o que eu sinto neste momento! Continuação de uma óptima viagem, é o que vos desejo!

Comment by bip bip on 21 de julho de 2010 às 15:05

boas
continuacao de boa viagem
obrigado por nos fazerem sonhar em que um dia seremos nos a pisar essas pistas
e com vistas fabulosas
um abraco a todos divirtan-se

Anónimo on 21 de julho de 2010 às 19:41

Sim... ainda há alguém que nomeie isso: "trabalho"...

Com cada uma....

Beijos Dé

Comment by lagartija on 22 de julho de 2010 às 10:01

Ouyeeeeeeaaaaaa!!
Miuda viagemmmmmmm!!
http://www.youtube.com/watch?v=9YdkolAEHj4

Anónimo on 22 de julho de 2010 às 21:40

mas porque é que eu nao fui?
p.s Filipe a tua foto "inclinado" na agua ja corre o mundo loll

João Dias
www.moto-turismo.net

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