This could be Heaven right here on Earth

2/10/2011 / 08:16 /

This could be Heaven right here on Earth. Cantavam os Lamb no iPod. E eu concordei. Estranhamente, porque o deserto que estava à minha frente dificilmente corresponde à noção de paraíso.

Tínhamos acabado de passar TanTan onde, após me mostrar um recibo de multa de 750 Dirham, um polícia bem educado me aplicou um sermão sobre a segurança palpável de parar nos sinais de Stop, além das indubitáveis vantagens económicas. Após uns 10 minutos de conversa bem humorada, a coisa ficou-se pela advertência verbal. Ao fim do dia soube que o Henrique Marinho, um dos participantes desta viagem, tinha conseguido a mesma façanha duas vezes! Mas tinha um trunfo adicional, fazia anos, tinha o passaporte para o provar, e pelas duas vezes conseguiu convencer as autoridades a concederem-lhe o perdão a título de prenda de aniversário!



Após TanTan descemos do planalto em que rodamos desde Guelmin e, pela primeira vez na viagem, a vista abre-se para a imensidão do deserto do Sahara.



Um panorama infindo. Impossível de fotografar e, pelo menos para mim, de descrever. O que vemos do maior deserto do planeta é apenas o bocadinho que se avista da faixa que estamos a usar para o atravessar, a estrada Atlântica. O que vamos absorvendo da paisagem é limitado pela atenção às ultrapassagens, aos recortes no alcatrão, aos camelos que pastam nas bermas e que por vezes atravessam majestaticamente, aos “ensablements” (as invasões da estrada pela areia) e à gestão da autonomia da moto. Mas sobra algum tempo de processador para profundíssimos pensamentos sobre a nossa dimensão relativa e para a tal alegria de estar a concretizar um sonho.



Talvez a minha melhor tentativa de descrição seja então a do maduro a olhar para a paisagem estéril e a achar que isto pode ser o paraíso na terra. Heaven Right Here on Earth . Tive um daqueles momentos em que achamos tudo perfeito e, de tão felizes, quase ficamos com medo de atrair o espectro que assola estas viagens, o de alguma má sorte mecânica ou burocrática. A realização da nossa pequenês face ao deserto impõe também a noção de vulnerabilidade, mesmo para quem já atravessou esta estrada umas quantas vezes.

Acabámos a etapa cedo e realizados em Laayoune. Já vamos a 27 graus de latitude Norte. Ainda é muito Norte.

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5 comentarios:

Anónimo on 10 de fevereiro de 2011 às 11:04

Que delicia de texto... faz-me sentir aí.

Comment by Luis Deus on 10 de fevereiro de 2011 às 11:29

Muito bom :)

Comment by LL on 10 de fevereiro de 2011 às 17:56

Belíssimo texto e imagens! Só apetece aí estar convosco!

Comment by João Dias on 10 de fevereiro de 2011 às 22:03

Continuação de uma excelente viagem, obrigado pela partilha
Joao dias
Www.moto-turismo.net

Comment by Hugo Vilas Boas e Miguel Santos on 15 de fevereiro de 2011 às 13:05

Precisamente há um mês atrás aconteceu-nos o mesmo e em Tan Tan. 750 DRH, o que nos salvou foi mesmo a falta de dinheiro, o Cristiano Ronaldo e as nossas estranhas motas que o policia nunca tinha visto por aquelas bandas( Vespas)

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