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Estamos de novo imersos.
Metade em água tépida, metade no ar quente do Sahara. Ao fundo as dunas vão mudando as cores subordinando-se aos caprichos de meia dúzia de núvens que parecem convocadas só para filtrar a luz do sol quente e deixar tudo ainda mais bonito.
Imersos em cultura milenar, numa medina que funciona de forma igual há mais de 12 séculos.
Imersos num vale cheio de vida, rasgado no maior deserto do mundo, constituindo um dos maiores oasis do mundo, o Tafilalt.
O superlativo "o maior" pode ser usado à vontade, aqui em Marrocos. Não corremos o risco de exagerar. Os panoramas são imensos e quase que tememos que nos saturem com a sua vastidão. Mas eis que descrevemos mais uma curva e tudo muda, ficando novamente... maior.
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Chegámos a Marrakech no 28 de Abril por volta da hora do almoço e nada fazia suspeitar do acontecido na Praça umas horas antes. Só pelas chamadas de familiares para saber se tudo estava bem connosco, soubemos que não era um dia como outro qualquer em Marrakech. Ainda algo incrédulos continuámos com o nosso programa, mas pouco depois chegámos a Praça de Djemaa el Fna para comprovar que o maior ponto de encontro da cidade tinha sido brutalmente mutilado por um trágico atentado, com o óbvio objectivo de distanciar os turistas do país.
A barbárie já tinha visitado cidades como Madrid, Londres ou Istambul e agora acrescentou à sua lista negra Marrakech. Também neste caso, tanto locais como visitantes, vão passando da sensação de medo à tristeza, para finalmente exigir justiça duma maneira enérgica.
É bem sabido que a equipa da MotoXplorers adora Marrocos, todos temos muitos momentos especiais vividos por estas terras além de vários amigos espalhados pelo país. Os marroquinos sempre mostraram a sua inesgotável hospitalidade connosco, e por isso mesmo não os vamos abandonar nos momentos menos favoráveis. Como programado, em Setembro estaremos lá novamente para desfrutar das belas imagens que este país oferece ao visitante.... como estas captadas nos últimos dias de viagem pela costa:
Mais dia menos dia, nas nossas viagens todo o grupo acaba por
funcionar como um bloco conjunto. Uma equipa formada por pessoas com
diferentes backgrounds (e por vezes também nacionalidades) que se
reunem com o objectivo de conhecer um território. O mútuo interesse em
descobrir e explorar.
Como não podia deixar de ser, esse espírito já foi alcançado nesta
viagem e é dessa forma que estamos a percorrer algumas das melhores
paisagens de Marrocos, sempre acompanhados pela simpatia e boa
disposição dos locais.
Se o tempo passa rapidamente quando andamos de moto por estradas e
pistas nas que vale a pena cada um dos quilómetros percorridos, as
paragens são momentos em que se partilha a ilusão das experiências
vividas.
Ontem, em que saímos do deserto para atravessar montanhas do Atlas
ainda com neve, foi daquelas etapas que ficam na memoria.
E hoje... o que encontraremos na mítica Marrakech!?
Mais fotos aqui.
Chefchaouen é uma bonita cidade encravada nas montanhas do Rif. As paredes, portas, janelas e até o pavimento das ruas da medina são coloridos com diversos tons de azul. As núvens dão-nos tréguas e a luz do sol do meio-dia lá vai aparecendo, brincando com as sombras para nos oferecer ainda mais tonalidades de azul.
O jogo de luz e sombra é uma bela a compensação para o mau tempo que apanhámos até passarmos para Sul do Alto Atlas. Na nossa memória vão ficar panoramas topejados de núvens a que um iluminador com excesso de criatividade apontava focos amarelos, dourados, laranja, ocre e finalmente, com o crepúsculo, violeta.
São cores que vimos nas tinturarias de Fez, onde por uma noite pudémos ter a ilusão de pertencer ao sultanato que vivia nos seus riads. Fez é uma overdose sensorial. Confusão, cheiros, muita gente, sabores, ruelas tortuosas, côres brilhantes dos couros, brilhos de latão e cobre, ritmos sincopados dos martelos dos artesãos, tudo se mistura no emaranhado de becos e travessas da maior zona urbana livre de trânsito.
E para continuar a imersão em contrastes subimos o Alto Atlas, onde por apenas 2 minutos enfrentámos neve e desembocámos nas portas do maior deserto do planeta. Teríamos toda a tarde para finalmente descansar. Mas entre piscina, dunas, chotts privativos (lagos secos) e passeios a camelo a decisão quase unânime é de deixar o descanso para a noite.
Estamos de novo na estrada (e às vezes fora dela, esperamos).
Ontem foi o arranque de mais uma Xcape Tour a Marrocos. A expectativa de uma grande aventura tem feito estes viajantes sonhar há algum tempo. Mas a aventura real começou afrontando o temporal que, insistentemente, nos acompanhou até Algeciras.
Andar de moto à chuva pode ser uma experiência engraçada. Sente-se a verdadeira “comunhão com os elementos”, o “fazer parte da paisagem em vez de a observar” e todas essas ideias românticas adquirem uma densidade real. Tão real como a primeira gota que arranja forma de escorregar pela nuca e prosaicamente nos põe fim ao devaneio.
Apesar do dilúvio, chegámos todos bem e com a moral elevadíssima e um solinho a romper as núvens, atravessámos o estreito de Gibraltar.
Nos próximos dias vamos tentar publicar por aqui alguma coisa. Pode seguir passo a passo a nossa progressão aqui:
Localizador Spot
Imagens
Foram nove dias esplêndidos percorrendo algumas das melhores paisagens que Marrocos oferece. A Marrocos Xcape é uma viagem que gostamos organizar e que gostamos realizar ...especialmente quando se junta um grupo de viajantes tão bom como este:
Agora é só esperar para voltar a viver bons momentos...
...in šāʾ Allāh!
Escreve Nélia Carvalho
Estamos de volta à cidade. Marrakech by night é uma explosão de luz e movimento depois da acalmia das últimas paragens. Lojas de sumo de laranja, comida, frutos secos, roupa típica e o que mais se pensar, até a tarde, traz novos e velhos, locais e turistas a esta praça fantástica. E pensar que amanha de manha não está aqui nada!
Deambular e perder o caminho de regresso também é típico, mas lá conseguimos chegar. É incrível como aqueles paredes isolam todos os sons do exterior até o amanhecer. Vamos ver a praça pela manhá. Se julgavam despida de cor e movimento, enganam-se.
Cobras, macacos, videntes, tudo espia à procura de uma máquina fotográfica e os restos da noite anterior desapareceram quase por completo. Só restam as bancas de sumo de laranja a lembrar as cores e agitação nocturna. Voltamos a perder-nos nas ruelas coloridas de tapetes, cobres e gente.
Encetamos regresso rápido pela autoestrada, com uma vontade de ficar a "morder" o ambiente mais algum tempo.
Fica na memoria um sorriso fácil no rosto mais rudo e fechado. Povo fantástico este.
Após horas e horas de estrada sempre a rolar, a lembrar que faltam muitos km para chegar a casa entramos em Asilah e, que estranho!, uma igreja católica, branca, despida, mais familiar. Logo a seguir uma fortificação também essa familiar... ao final já estamos em casa... Etiquetas: marrocos
Texto de Rodrigo Cunha:
Com a calma do deserto vimos nascer o dia em Merzouga, por cima do Erg Chebbi. O pequeno almoço sofreu com a já habitual boa disposição matinal. Um pequeno pedaço de pista conduziu-nos até o alcatrão. Este por sua vez, levar-nos-ia até Imilchil ao final do dia.
O Atlas continua imponente. As aldeias sucedem-se e paramos num local especial. Um "geólogo" local tinha para vender uma impressionante colecção de fósseis, com direito a certificado manuscrito num postal.
A garganta do Todra representa no seu todo este país: uma maravilha da natureza preenchida com uma confusa organizada massa humana.
Da garganta do Todra até Imilchil um percurso misto terra/alcatrão proporciona-nos momentos únicos de prazer. A altitude fresca, sempre acima dos dois mil metros, é-nos favorável à condução. No meio do nada mais uma aldeia e um café que nos proporciona uma cerveja bem gelada. Um luxo no interior do Marrocos muçulmano, mas tolerado pelos três policias locais presentes na esplanada.
O hotel em Imilchil era a imagem da serenidade austera da montanha. Partindo de Imilchil visitamos os lagos dos noivos infortunados. Conta a lenda que surgiram das lágrimas derramadas por estes.
Até Beni-Mellal foi um sobe e desce, com curvas e mais curvas e passagens um pouco molhadas na travessia de ribeiras. A dado momento vejo o tour leader de mapa na mão a solicitar uma indicação a um local que só falava árabe e que, provavelmente, não sabia ler. Se existem momentos de "non sense" deliciosos este foi um deles.
Tendo começado a viagem com um grupo de desconhecidos rapidamente me vi num grupo de bons amigos. Não só o gosto pela aventura de moto foi facilitado mas também o carácter e personalidade do grupo. O apoio dado pela MotoXplorers foi sempre o pretendido. Estivemos sempre na presença do que poderíamos chamar Ying-Yang: por um lado a saudável loucura e desconcertante boa disposição do Enrique e pelo outro a serena racionalidade do Ricardo. O equilíbrio é perfeito, a viagem agradece e nós também. Etiquetas: marrocos